JÓ E WORDSWORTH … [Nature] can be so inform The mind is within us, so impressWith quietness and beauty, so feed With lofty thoughts, that neither evil tongues, Rash judgements, nor the sneers of selfish men, Nor greetings where no kindness is, nor all The dreary intercourse of daily life, Shall e’er prevail against us, or disturb Our chearful faith that all which we behold Is full of blessings ¹ William Wordsworth, Lines written a few miles above Tintern Abbey Diz o livro de Jó na Bíblia que ele era um próspero homem da tribo israelita de Uz, tinha 7 filhos e 3 filhas, 7,000 carneiros, 500 jumentos, 3,000 camelos e 500 juntas de bois. Porém, uma tragédia se abate em sua vida e os sabeus roubam os seus bois e jumentos. Raios caem dos céus e matam seus carneiros, os caldeus levam os seus camelos e um furacão destrói a casa de seus primogênito matando-o assim como os seus irmãos, e como se isso tudo não bastasse, chagas cobrem o corpo de Jó da cabeça sos pés. Inconformado com o destino que se abateu sobre sua vida, ele indaga o motivo de tanto sofrimento, e outros membros de outras tribos tentam lhe explicar o motivo de tudo ter acontecido, que era, ou ainda é, um hábito da cultura judaica de debater temas, de haver a discussão. Baldad, o suíta, diz que jó e seus filhos agiram mal, e por isso tudo aconteceu a eles, Deus não rejeitará o homem virtuoso (Jó 8:20); Sofar, o naamatita diz que apesar de tudo Deus estava sendo generoso com Jó, Saiba portanto que Deus exige de ti menos do que tua iniqüidade merece (Jó 11:20); Elifaz, o temanita diz que o homem gera o seu próprio sofrimento, Pode ter o homem razão diante da palavra de Deus? (Jó 4: 11 – 13), e por fim Eliú, o buzita diz que Deus ensina através do sofrimento, e Jó deveria aprender com tudo pelo qual ele passou, Deus corrige o homem com o sofrimento (Jó 33:9). Jó porém não concorda com os argumentos de seus conterrâneos, e diz que eram defesas de barro e provérbios de cinzas. Jó então reclama aos céus o motivo de tudo, e Deus
Escrito por andrexhelal às 19h09
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lhe responde. Deus no primeiro testamento era chamado de Javé, um Deus vingativo, sem nenhuma misericórdia e exigente no cumprimento de atos que comprovem a fé do povo de Israel. Javé assim lhe responde: Quem é esse quer turva a razão com palavras ignorantes? Cinge teus lombos como um homem, pois hei de te perguntar e tu hás de me responder. Onde estavas tu quando lancei as fundações da terra? Responde se tens entendimento. Quem dispôs as medidas para ela, se é que sabes? Ou quem esticou o cordel? De que modo se divide a luz, que espalha o vento leste sobre a terra? Quem dividiu um curso d’água para o transbordamento das águas, ou abriu caminho para o relâmpago do trovão... De que ventre provém o gelo? E a esbranquiçada geada dos céus, quem a gerou? Conheces tu as ordens do céu? Podes impor o domínio de tais ordens na terra? Podes elevar tua voz até as nuvens, para que águas em abundância te cubram? Tens um braço como o de Deus? Ou podes trovejar com voz semelhante? Por acaso voa o falcão por tua sabedoria e estende suas asas para o sul? Podes puxar o leviatã com um anzol? Jó. 38:4-18. O mundo pode até parecer ilógico para Jó, mas daí não se conclui que seja ilógico em si. Nossas vidas não são a medida de todas as coisas. Contemple o sublime como um lembrete da fragilidade e insignificância do ser humano. Nós somos joguetes das forças que projetaram os oceanos e esculpiram as montanhas. Não é só a natureza que nos desafia. A
Escrito por andrexhelal às 19h09
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vida humana é igualmente massacrante, mas são os vastos espaços na natureza que talvez nos proporcionem a indicação e certeza de que tudo é muito maior do que nós. A poesia de William Wordsworth deseja mostrar que a natureza é a comunhão de Deus, para o poeta as cidades eram locais que estimulavam emoções destruidoras: a inveja quanto a posição na hierarquia social, inveja diante do sucesso dos outros, orgulho e um desejo de brilhar diante dos olhos de desconhecidos. Wordsworth dizia que cenas naturais tinham o poder de sugerir certos valores – carvalhos, a dignidade; pinheiros, a determinação; lagos, a calma – e, com uma certa sutileza, pode-se utilizar estes elementos para uma inspiração a virtude para poder levar a vida com mais beleza. Filosofia: What though the radiance which was once so bright Be now forever taken from my sight Though nothing can bring back the hour Of splendour in the grass, of glory in the flower; We will grieve not, rather find Strength in what remains behind ² William Wordsworth, Ode: Intimations of Immortality, X _______________________________ 1. [A natureza] tem tal poder de influenciar / A mente que se encontra em nós, de imprimir / Com quietude e beleza, e nutrir / Com pensamentos elevados, que nem as más línguas, / os julgamentos apressados, nem o escárnio de homens egoístas, / Nem os cumprimentos desprovidos de gentileza, nem todo / O entediante relacionar-se da vida diária, Jamais nos dominarão, nem perturbarão / Nossa fé risonha de que tudo o que contemplamos / Está cheio de bênçãos. 2. E daí se a luminosidade que outrora tanto brilhava / Agora esteja para sempre afastada de mim, / se nada pode trazer de volta a hora/ De esplendor na relva, de glória na flor; / Não nos lamentemos, mas sim encontremos / Força naquilo que ficou para trás. Wordsworth, William. Op. Cit por Allain de Botton, A Arte de Viajar(2003) trad. Waldéa Barcelos. SP: Rocco.
Escrito por andrexhelal às 19h08
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THE ONLY WAY UP IS DOWN “´When you´re supposed to go down find the deepest well and go down to the bottom´, Mr. Honda had said”¹ MURAKAMI, Haruki (1998) The Wind-up bird Chronicles. NY: Vintage books. Às vezes a queda é inevitável. Há certos momentos pelos quais passamos na vida – a morte de um parente, demissão de um emprego, acidente de carro; que exigem certos sacrifícios, dor e certa dose de sofrimento para que o renascimento ocorra. Nestes momentos, em que tudo parece perder o sentido; há muito pouco ou nada a se fazer. Não há como ir contra a corrente dos fatos e acontecimentos. Em tudo nessa vida há o momento certo para acontecer – se você tiver que subir, vá ao topo da mais alta torre e fique por lá; se tiver que descer, vá ao mais fundo buraco que você encontrar e espere. Quando o fluxo dos acontecimentos estiver parado, fique quieto. Se você for contra a corrente tudo vai conspirar contra você, seus planos futuros, seus atos e sonhos. Nesses momentos fique quieto, inerte, imóvel, senão tudo que você conquistou em sua jornada vai diminuir, diminuir, diminuir até secar e acabar; e se tudo secar em sua vida só lhe restarão as cinzas e trevas. Lembre-se sempre, o que aconteceu, aconteceria de uma forma ou e outra. Não se culpe. E o futuro é o que nos interessa, pois o passado é passado; acabou! E o presente, o momento que se vive, é uma passagem muito breve para o futuro. Pense menos e desfrute mais da sua vida. ‘Think about reality. Think about the real world. The body´s world. That´s why I´m here. To think about reality. The best way to think about reality, I had decided, was to get as far away from it as possible – a place like the bottom of a well […].”² MURAKAMI, Haruki (1998) The Wind-up bird Chronicles. NY: Vintage books. ________________________ - Quando você tiver que cair, procure o poço mais fundo que você puder achar e vá até o fundo dele, disse o Sr. Honda; tradução livre.
- Pensar sobre a realidade. Pensar sobre o mundo real. O corpo é o mundo. Por isso estou aqui, para pensar sobre a realidade, eu tinha decidido em afastar-me o máximo possível da realidade em um lugar como o fundo de um poço; tradução livre.
Escrito por andrexhelal às 16h31
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SINAIS Ando pelo apartamento todo tentando apagar os sinais daquela que se chama Rita. Um sutiã no quarto, sua agenda na sala. Um Button do Garfield e o pôster do Neruda que ela me deu. Passo pente fino nos cômodos E tento apagar qualquer vestígio, Resquício e detalhe que possa me fazer relembrar. Tento tirar da alma aquela que um dia foi minha. Revejo cada peça, móvel, gaveta, pensamento. Arrumo as camas, lavo o banheiro. Arrasto tudo para fora! Mas eu e o apartamento parecemos Despojados de um ser, uma vontade de viver. E a presença irrita e persiste. Nas lágrimas que insistem em cair E nos vários copos de uísque.
Escrito por andrexhelal às 19h01
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LEITURA & LITERATURA Ao organizar minhas leituras de férias tenho sempre em mente três tipos de livros: um best seller do momento; um clássico da literatura mundial e uma biografia, ou autobiografia qualquer. Evito ler auto-ajuda, marketing, Paulo Coelho, Zibia Gasparetto e afins. O tempo que tenho para fazer leituras é muito exíguo, por isso melhor aproveitá-lo sabiamente. Por que um best seller? Bom, às vezes as viagens tornam-se longas demais, a espera de trinta minutos por um voo transforma-se em uma, duas, três horas. Ao se deitar relaxado em uma praia o nível de abstração é maior do que o normal e tem-se a atenção e poder de concentração diminuídos. Nesses momentos deseja-se ler algo mais simples como se estivesse folheando a revista CARAS – e cá entre nós. Entre ler um best selller e folhear a revista CARAS, o que você preferiria? Uma biografia, uma autobiografia ou um livro de memórias é um retrato de uma época, um momento histórico sob o ponto de vista de outros. É um meio de entender a formação de um país¹, uma sociedade, de um povo e auxilia a entender o mundo contemporâneo. Em um clássico da literatura universal. Por quê? Onde você pretende chegar sem ler clássicos da literatura? Mas livros são livros e nada mais. A vida continua com ou sem eles, e se eu puder ler pelo menos três livros nas minhas férias de verão sigo mais feliz com três livros na cabeça². __________ 1. Acredito que para se compreender a formação do Brasil é interessante ler três livros: “Chalaça” de José Guilherme Torero; “O Anjo Pornográfico” sobre a vida de Nelson Rodrigues de Ruy Castro e “Chatô” de Fernando Morais; lembrem-se biografias e afins são um retrato de um época. 2. Li num periódico que um brasileiro médio lê 1,3 livros por ano (?!). Se eu puder ler três estou acima da média, não é?
Escrito por andrexhelal às 21h16
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Ela grudou em mim como tatuagem. Faz tudo que peço. Me leva nos melhores lugares, Me abraça forte. Gosto dela, pode até ser amor.
Escrito por andrexhelal às 18h53
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O que faz você feliz? A lua, a praia, o mar Uma rua, passear Um doce, uma dança Um beijo ou goiabada com queijo? Afinal, o que faz você feliz?
· Ler, ler e ler – jornais, revistas, anotações, poesia, best seller, clássicos da literatura, bula de remédio, recados, e-mails; um vício! · Dar aulas de literatura! Encontrei meu lugar; · Chocolate; · Histórias em quadrinhos; · Ouvir música – ainda sou daquele tipo que compra CDs, acho que um disco tem todo um conceito autoral, capa, ficha técnica, e, além disso, não tenho muita paciência de baixar músicas pela web; · Comer amendoim de madrugada vendo TV; · A Livraria Cultura do Conjunto Nacional; · Ler os jornais de domingo, Folha, Estadão e O Globo, na cama; · Praia – cair n água, secar no sol feito um jacaré e... cair n água, secar no sol feito um jacaré e... cair n água, secar no sol feito um jacaré e... · Olhar as pessoas – tenho uma curiosidade me observar gente, imaginar suas vidas, criar cenários possíveis e verossímeis para a vida de outros; · Ficar em casa de boa fazendo minhas coisinhas no silêncio, sem ninguém por perto e com a TV desligada; · Comprar mochilas e bolsas – ainda não encontrei o modelo ideal para as minhas andanças; · U2, Rolling Stones, The Cure, The Smiths e outras tantas bandas inglesas de rock; · Queimar CDs de autor para poucos e bons; · Ficar a toa numa livraria; · Mulheres usando sandálias Havaianas – não há nada mais sexy e atraente do que uma mulher com as unhas pintadas de vermelho sangue calçando Havaianas brancas;
Escrito por andrexhelal às 21h47
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· ´The Great Gatsby´ de F.S. Fitzgerald; ´Brave New World´ de Aldous Huxley; ´Feliz Ano Velho´ de Marcelo Rubens Paiva; ´On The Road´ de Jack Kerouac; ´Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos´ de Rubem Fonseca e por aí vai... · João Gilberto, Djavan, Caetano Veloso, Jorge Benjor, Gilberto Gil, Fernanda Abreu, Zeca Baleiro, Nando Reis, Lulu Santos e por aí vai... · Ver um filme depois de ler o livro no qual ele foi baseado e vice-versa; · Pocket books! Adoro! · Morar perto da Avenida Paulista; · Um abraço sincero e bem encaixado, isso vale muito mais do que um beijo na boca; · Pegar carona com os amigos; · Trocar a minha vida inteira por uma noite de puro prazer; · Seriados norte-americanos, de preferência os policiais: CSI, Law & Order. Criminal Minds, Lost... · Ir ao cinema – momento mágico! · Tomar sorvete direto da embalagem! · Ir domingo cedo à Avenida Paulista comprar o jornal O Globo; · Miniaturas de super-heróis, os famosos soldadinhos ou action figures; · Ficar de bobeira até uma ou duas da manhã em frente à TV; · Ser organizado, mas não ser sistemático; ter planos e metas, mas não encanar se não acontecer. Minha meta é viver, apenas viver... ARNALDO ANTUNES "O QUE FAZ VOCÊ FELIZ" O que faz você feliz? A lua, a praia, o mar Uma rua, passear Um doce, uma dança Um beijo ou goiabada com queijo? Afinal, o que faz você feliz? Chocolate, paixão Dormir cedo, acordar tarde
Escrito por andrexhelal às 21h46
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Arroz com feijão, matar a saudade O aumento, a casa, o carro que você sempre quis Ou são os sonhos que te fazem feliz? Dormir na rede, matar a sede Ler ou viver um romance O que faz você feliz? Um lápis, uma letra, uma conversa boa Um cafuné, café com leite, rir a toa Um pássaro, um parque, um chafariz Ou será o choro que te faz feliz? A pausa para pensar Sentir o vento Esquecer o tempo O céu O sol Um som A pessoa ou o lugar Agora me diz o que faz você feliz?
O que faz você feliz? aquela comida caseira, arroz com feijão brincar a tarde inteira o molho do macarrão ou é o cheiro da cebola fritando que faz você feliz? o papo com a vizinha, o bife, a batatinha a goiabada com queijo um doce ou um desejo afinal o que faz você feliz?
Escrito por andrexhelal às 21h46
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O que faz você feliz? ficar de bobeira assaltar a geladeira comer frango com a mão tomar água na garrafa passar azeite no pão ou é namorar a noite inteira que faz você feliz? rir e brindar a toa um filme, uma conversa boa fazer um dia normal virar uma noite especial afinal, o que faz você feliz?
O que faz você feliz? comer morango com a mão por açúcar no abacate brincar com melão, goiaba, romã, jabuticaba ou é o gostinho de infância que faz você feliz? cuspir sementes de melancia falar besteira, ficar sem fazer nada plantar bananeira, ou comer banana amassada? afinal, o que faz você feliz?
Escrito por andrexhelal às 21h45
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OUTONO Há um lugar para ser feliz Além de abril em Paris Outono, outono no Rio. ED MOTTA; As Segundas Intenções do Manual Prático. Universal, 2000. O verão tinha acabado... Graças a Deus! Com suas tempestades avassaladoras, a necessidade de estar em todos os lugares o tempo todo, descer para o litoral, estar com o corpo malhado, sarado, bombado. É o verão havia acabado. E o suave outono com seu anoitecer mais cedo, o céu com um tom mais dourado, o friozinho ao entardecer; o outono havia se instalado com armas e bagagens no dia a dia. O outono é mais tranqüilo, sem pressa, sem dor. Os frutos do outono são mais doces, o amor é mais macio e parece que curtimos os vícios na hora certa e sem culpa. Aqui vale a citação obrigatória de Verlaine – les sanglots longs de violons de l ´automne¹; que prende na garganta um soluço de tristeza e decepção. Queria poder viver em comunhão com a estação que agora se inicia. Ser mais leve, ser mais macio – mas o coração é mau! Meu e mau, e guarda dentro dele um demônio que nunca dorme e vive a me enganar. A vida no outono segue mais devagar e nada tem tanta importância ou vale a pena, e nem nós mesmos temos a sensibilidade para desfrutar desse período do ano. No outono tudo que acontece vem de graça, é lucro. Um lucro que compensa o que perdemos nos anos já vividos. Um lucro que acrescenta um pedaço de paz a essa insensata guerra que é viver. 1. Os longos soluços dos violões do outono. Paul Verlaine; Chanson d'automne
Escrito por andrexhelal às 16h34
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ELA PODERIA TER AJUDADO – Parte II
Ela me deixou. E eu já havia percebido no ar o desejo de fuga. Assim como Papillon no romance de Charrière que contava as ondas do oceano, para saber o momento certo para saltar para sua liberdade; penso eu que ela, talvez, contasse os dias, as horas, minutos, segundos para sua fuga.
Eu já tinha sentido os sinais de que a coisa ia mal – e se eu tivesse sido um pouco mais esperto, eu já deveria ter saído dessa faz tempo. A tragédia iria acontecer um dia a mais dia outro a menos, e a vida em si já é uma tragédia. Viver é um eterno planejar e re-planejar atos, dívidas, dúvidas, pensamentos que no final vão dar em nada, pois as coisas, você sabe, têm uma força própria que não se pode alterar.
Agora fico aqui um pouco mais triste, mas a vida continua, e a vida tem que continuar. Sigo um pouco mais alquebrado, um pouco mais machucado, solitário e com dias de janelas eternamente abertas a um horizonte sem sol. Seguimos em frente como no final do romance de Fitzgerald:
“Gatsby acreditava na luz verde, no futuro orgástico que ano a ano recua a nossa frente. Ele escapara então, mas isso não importava – amanhã correremos mais rápido, estenderemos mais adiante nossos braços...e numa bela manhã...
E assim prosseguimos barcos contra a corrente, arrastados incessantemente em direção ao passado.”¹
Agora já é tarde, ele me deixou realmente, e a noite cai na urbanidade caótica, das cinco horas da tarde de um dia qualquer, na cidade. Carros com passageiros solitários, ônibus lotados com mulheres cheirando a Cândida, metrôs com filas enormes e vagões entupidos, a vida segue.
Luzes incertas acendem-se aqui e lá, e, no seu íntimo, ele sabe que por detrás de cada janela iluminada há um homem solitário segurando em prantos sua alma amargurada.
______________________
1. FITZGERALD, F.Scott (2007) O Grande Gatsby; trad. de Roberto Mugiatti. RJ: Best Bolso.
Escrito por andrexhelal às 19h01
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ELA PODERIA TER AJUDADO
Ela poderia ter ajudado, deveria nem ter ido.
Aquele encontro estava destinado a ser um fracasso. Ele era uma mistura mal acabada de idéias conservadoras e frases clichês de filmes B. E como ele a queria. Ele tentava agradá-la e conquistá-la, mas ela não estava nem aí. Ficava de olho no visor do celular esperando o próximo torpedo.
Ela, uma menina de 20 e poucos anos e tinha outros interesses na vida – Techno, baladas fortíssimas de sábado para domingo, Red Bull, bala e água mineral prá diminuir o calor. Ela tinha uma vida para viver e não queria perder o seu tempo com um loser.
Ela ficava de olho no visor do celular que, em vibra call, brilhava a cada nova mensagem de texto.
Ele era louco por ela e contava histórias de sua vida. Falava coisas como,
No meu tempo...
E dizia cantadas manjadas tipo,
Você é linda! Teu sorriso iluminou a noite! Estou louco por você! E a noite seguia.
Até que acontece a chamada que ela tanto esperava,
Hum hum
Silêncio.
Daqui a dois minutos
Mais silêncio.
Então ´tá, já estou saindo!
Ela cata a bolsa e o moleton, corre para a porta do apartamento, joga um beijo,
Tchau.
Ele tenta argumentar; Quem era? Quem ligou? O que aconteceu?
Mas era tarde demais; ela já estava ligada em outra.
Ela sai de cena para mais uma noite com muito ice na cabeça, trance bate estaca na veia, água mineral sem gás e rapazes parrudos e bonitos para lhe fazer companhia.
Ele fica na sua solitária identidade e na ressonância dos versos de Bandeira:
Não te aprofundes o teu tédio
Não te entregues à mágoa vã
O próprio tempo é bom remédio
Bebe a delícia de cada manhã.¹
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1. BANDEIRA, Manuel in A Sombra das Araucárias; A Cinza das Horas.
Escrito por andrexhelal às 20h14
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HOMEM MARAVILHADO
Alguém um dia me contou ou eu ouvi esta história e meio que não acreditei, sabe como é, né? A palavra dita, aquela que é apenas ouvida e não escrita, essa é mais fácil para o vento levar.
Pois bem, ouvi dizer que as paixões mal resolvidas, inacabadas que ficam a nos incomodar como uma ferida exposta ao sol. Essas paixões que não fizeram a passagem e ficam a vagar pelaí como almas desencarnadas e espíritos sem luz, essas paixões transformam-se em estrelas e alçam ao céu.
E também me foi dito que, de quando em quando, nas noites mais escuras da alma, essas paixões caem aqui na Terra como estrelas cadentes e explodem ao tocarem no chão.
Ouvi tudo isso, mas não dei bola, achei que fossem aleivosias. Mas, numa dessas madrugadas errantes em que tudo sai dos eixos para de repente fazer sentido, voltava para casa por uma das marginais quando vi pequenas explosões nas fétidas águas do rio.
Encostei meu carro e olhando as águas do Tietê vi as pequenas explosões de fogo nas imundas águas do rio e maravilhado fiquei a assistir essa chuva de paixões.
Escrito por andrexhelal às 18h11
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